Sangaku Sesshin 2016 – A Alegria no Zen


Uma das dificuldades que encontramos frequentemente manifestada nos praticantes do Zen é um excesso de “seriedade” ou até de “austeridade”. Isto, infelizmente, pode deixar a prática muito pesada e, de certa forma, cria um obstáculo a um maior aprofundamento.

ZCLA Clowning Isshin 3-27-05Durante o meu período de treinamento avançado no Zen Center de Los Angeles, tivemos um workshop com um palhaço de fama internacional –  Mr. YooWho – que foi obrigatório para todos os monásticos com o intuito de treinar nos levar menos a sério. Ao participar deste workshop, também me tornei membro da Ordem da Desordem, criado pelo Bernie Glassman, quando ele ainda era monge e pertencia à escola Soto Zen. Apesar do fato da nossa Sanga ter escolhido não se afiliar a qualquer grupo dissidente da nossa escola, reconhecemos algumas das contribuições excelentes do Glassman e as adotamos com todo prazer.

Assim, o nosso próximo Retiro dos Três Treinamentos (Sangaku Sesshin), a ser realizado durante o feriado de Carnaval (5 a 9 de fevereiro de 2016) terá como tema “A Alegria no Zen” e uma das atividades será a investigação da figura do palhaço, que existe em cada um de nós através de uma oficina de técnicas de palhaço.

Outras atividades incluirão o Zazen, Palestras, Prática de Cerimonial, Samu e Prática de Convivência. Em acordo com a filosofia da nossa Sanga, será um retiro de estudo e convivência.

É aberto a todos os interessados, mesmo sem experiência anterior com a meditação.

Haverá a possibilidade de assistir às palestras à distância pela Internet ao vivo através do sistema Google Hangouts. A ficha de inscrição para a participação à distância encontra-se nesta página.

Mais informações e inscrição no site oficial da nossa associação, Zendo Sul.  http://www.zendosul.org.br/si/site/040101/p/Sangaku%20Sesshin

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Ouvir a Voz do Vale


Ouvir a Voz do Vale
de Shundo Aoyama Rôshi
abadessa do Mosteiro Feminino de Aichi, Nagoya

A água do rio flui sempre, sem cessar. Flui rápida, não pára um só instante e se vai. Seu murmúrio evoca em mim o eco do tempo.

A água do tempo brilha no leito do Universo, sempre correndo, fluindo. Pedras, árvores, casas e cidades também fluem vagarosamente nesta correnteza, assim como os seres. tudo isso pode parecer imutável, mas na verdade essa idéia não passa de uma ilusão.

Apenas nós, seres humanos, acreditamos erroneamente que tudo é imutável. Esforçamo-nos para não sermos levados pela correnteza e lamentamos por tudo que se vai. No entanto, mesmo sofrendo e desdobrando-nos, caindo sete vezes e nos levantando oito, não há como parar o fluir, que envolve também nossa dor e nossa luta.

Ao invés disso, é melhor ver as coisas como são e nos juntarmos a essa correnteza, com suavidade. Apenas assim poderemos encontrar prazer na fugacidade das coisas, uma vez que é justamente essa fugacidade que tece as mais diversas figuras na tapeçaria da vida.

Quando o shijo [três toques do sino] anuncia o início do zazen [meditação sentada] e tudo está em silêncio, a voz do rio é alta e clara. Durante a caminhada kin’hin [meditação andando], seu som se atenua. E ao final da meditação, ao som do chukai [sinal do término da meditação], a voz do vale desaparece completamente. É muito interessante. Por que será? O som do rio do vale aumenta, diminui, desaparece, mas não é o rio que muda. quando as ondas de nossa mente se acalmam, podemos ouvir o sermão sem palavras da água, das gotas, da erva, das árvores, dos seixos e das montanhas nos ensinando a transitoriedade de todas as coisas. Quando surgem pensamentos, todos se calam. Na verdade, eles não deixam de falar; nós é que perdemos a capacidade de ouvi-los.

O que acontece com nossos ouvidos também acontece com nossos olhos. Quando o olhar da mente é límpido, vemos tudo como realmente é, de modo natural. Mas assim que os olhos se distraem com objetos externos, não vemos mais. Perdemos a capacidade de ver corretamente. Sons e imagens nos atacam, nos arrastam, nos puxam. Coisas que deveríamos ver, não vemos. Coisas que deveríamos ouvir, não ouvimos. Não é assim?

Se escutarmos o rio sem atenção, a água que corre parece ter um ritmo constante e ininterrupto. Entretanto, nenhuma gora d’água passa duas vezes sobre a mesma pedra. Não é nunca a mesma gota que forma o leito do rio ou o murmúrio da correnteza. A imutabilidade é apenas uma ilusão dos olhos e dos ouvidos humanos. Uma vez que tenha passado, a água não corre nunca mais no mesmo ponto do rio.

A vida humana não é diferente. Acreditar que ontem é igual a hoje é resultado de nossa ignorância e insensibilidade. Não nossas mentes e nossos olhos deludidos que vêem o passado igual ao presente. Os olhos iluminados vêem claramente a imagem das coisas em eterno movimento e reconhecem que um instante é diferente de qualquer outro.

Escrito durante a participação no Nehan Sesshin (retiro em memória à morte de Shakyamuni Buddha, realizado todos os anos em fevereiro) no Mosteiro Sede de Eihei-ji, em Fukui-ken.

de Shundo Aoyama Rôshi.

do livro Para uma pessoa bonita: Contos de uma mestra zen
Prefácio da Monja
Coen, traduzido por Tomoko Ueno.
São Paulo: Editora Palas Athena / Zen do Brasil, 2002. Pág. 17-18

Buda – O Filme e o Livro “Velho Caminho, Nuvens Brancas”


BUDA – O FILME

Em 22 de maio de 2006, em Cannes, foi assinado o contrato que possibilitará a filmagem “hollywoodiana” da vida do Buda Shakiamuni, com lançamento mundial previsto para 2008. Tudo leva a crer tratar-se da maior obra cinematográfica jamais produzida em torno da vida de um ser humano.

O filme será baseado no best-seller internacional de Thich Nhat Hanh, “Old Path White Clouds” – um milhão de exemplares vendidos só nos EUA, isso sem toda a publicidade que, naturalmente, cercará o lançamento, quando estiver em cartaz – considerado o melhor livro já escrito sobre a vida e os ensinamentos do Buda. Neste momento, o filme está em processo de preparação do roteiro, com a supervisão direta do autor, e terá o título adaptado para “Buddha” (“Buda”).

O projeto recebeu as bênçãos de S.S. o Dalai Lama, que juntamente com Thich Nhat Hanh, examinou o mérito da produção em todos os seus detalhes.

Até agora, os produtores executivos escolhidos para o filme são Michel Shane e Anthony Romano (“Eu Robô” e “Pegue-me se for capaz”). Seus idealizadores e apoiadores (foram doados cento e vinte milhões de dólares!) especialmente o milionário indiano, Dr. Bhupendra Kumar Modi – que afirma ter tido sua vida transformada pela leitura da obra, por isso seu desejo de que mais pessoas sejam beneficiadas –, confiam no pleno sucesso.

Thich Nhat Hanh doou para entidades que cuidam de crianças órfãs e menores abandonados, todos os seus direitos sobre filme e livro, fazendo a única exigência de que as pessoas envolvidas de alguma forma no projeto, atores, diretores, etc., passem por duas semanas em contato direto com a vida monástica de Plumm Village (França).

No Brasil, os direitos sobre as 600 páginas da magnífica obra foram reservados e destinados à Editora Bodigaya, que já os havia solicitado há quase dez anos, sendo a primeira editora nacional a reconhecer o valor inestimável do texto. Teremos a imensa honra, portanto, de traduzir e publicar fielmente o texto original, na íntegra, para o público brasileiro.

É, um trabalho de “fôlego”, muito além da capacidade financeira e estrutural da Editora Bodigaya. Nosso editor, Enio Burgos, ao considerar tais dificuldades, declarou: “Os Budas sabem o que fazem. Se nos confiaram tal tarefa, na verdade, um desafio maravilhoso, é nosso dever buscar meios para cumpri-lo dignamente. Que os Budas nos ajudem…”.

As pessoas que acharem por bem auxiliar na publicação do livro, podem adquirir exemplares antecipadamente através do site www.bodigaya.com.br. Naturalmente, donativos seriam muito bem-vindos. As pessoas que se dispuserem a auxiliar, podem depositar sua contribuição na conta da Ed. Bodigaya, no Banco do Brasil, Ag: 0180-5, cc: 6367-3.

Do fundo do coração, somos imensamente gratos pela ajuda inestimável.

Segue uma tradução de parte do livro, do blog da Sanga Virtual – Thich Nhat Hanh – Brasil

Sangha Virtual
Estudos Budistas
Tradição do Ven. Thich Nhat Hanh

Sidarta quietamente fez um gesto para que as crianças sentassem e disse: “Vocês todas são crianças inteligentes e eu estou certo que serão capazes de entender e praticar as coisas que eu partilharei com vocês. O Grande Caminho que eu descobri é profundo e sutil, mas qualquer um desejando aplicar seu coração e mente pode entendê-lo e segui-lo.”

“Quando você, criança, descasca uma tangerina, pode comê-la com consciência ou sem consciência. O que significa comer uma tangerina com consciência? Quando você está comendo uma tangerina está consciente que está comendo uma tangerina. Você experimenta totalmente sua adorável fragrância e gosto doce. Quando você descasca a tangerina, sabe que está descascando a tangerina; quando remove um gomo e o coloca em sua boca, sabe que está removendo um gomo e o colocando na boca. Quando experimenta sua adorável fragrância e gosto doce, está consciente que está experimentando seu gosto doce e adorável fragrância.”

“A tangerina que Nandabala me ofereceu tem nove gomos. Eu comi cada gomo em plena consciência e vi o quão preciosos e maravilhosos eram. Eu não esqueci a tangerina, e portanto a tangerina era real, a pessoa comendo a tangerina era real. Isto é que é comer uma tangerina de forma consciente.”

“Crianças o que significa comer uma tangerina sem plena consciência? Quando você está comendo uma tangerina, não sabe que está comendo uma tangerina. Não experimenta a adorável fragrância e o gosto doce da tangerina. Quando você descasca a tangerina, não sabe que está descascando uma tangerina. Quando remove um gomo e põe na sua boca, não sabe que está removendo um gomo e o colocando em sua boca. Quando sente o cheiro da fragrância ou o gosto de uma tangerina, não sabe que está sentindo o cheiro da fragrância ou o gosto da tangerina. Ao comer uma tangerina deste modo, você não pode apreciar sua preciosa e maravilhosa natureza. Se você não está consciente que está comendo uma tangerina, a tangerina não é real. Se a tangerina não é real, a pessoa que a está comendo também não é real. Crianças, isto é comer uma tangerina sem plena consciência.”

“Crianças, comer uma tangerina em plena consciência significa que enquanto você come está verdadeiramente em contato com ela. Sua mente não está correndo atrás dos pensamentos de ontem ou de amanhã, mas está habitando totalmente no momento presente. A tangerina está verdadeiramente presente. Vivendo com plena consciência da mente significa morar no momento presente, sua mente e corpo habitando realmente no aqui e agora.”

“Uma pessoa que pratica a plena atenção pode ver coisas na tangerina que outros não são capazes de ver. Uma pessoa consciente pode ver a árvore de tangerina, o florescer da tangerina na primavera, os raios de sol e chuva que nutriram a tangerina. Olhando profundamente, a pessoa pode ver dez mil coisas que fizeram a tangerina possível. Olhando para a tangerina, uma pessoa que pratica plena atenção pode ver as maravilhas do universo e como todas as coisas interagem umas com as outras. “

“Crianças, nossa vida diária é justamente como a tangerina. Como a tangerina é dividida em gomos, cada dia é dividido em 24 h. Uma hora é como um gomo da tangerina. Viver todas as 24hs do dia é como comer todos os gomos da tangerina. O caminho que eu encontrei, é o caminho de viver cada hora do dia em plena atenção, mente e corpo sempre habitando no momento presente. O oposto é viver no esquecimento, não saber que estamos vivos. Não experimentamos totalmente a vida porque nossa mente e corpo não estão habitando no aqui e agora.”

Gautama olhou para Sujata e disse seu nome.

“Sim, Mestre?” Sujata juntou as palmas das mãos.

“Você acha que uma pessoa que vive em plena atenção fará muitos erros ou poucos?”

“Respeitável Mestre, uma pessoa que vive em plena atenção fará menos erros. Minha mãe sempre me diz que uma menina deveria prestar atenção à maneira como anda, fica em pé, fala, ri e trabalha de forma a evitar pensamentos, palavras e ações que possam causar lamento para ela mesma e para os outros.”

“Isso mesmo, Sujata. Uma pessoa que vive em plena atenção sabe o que está pensando, dizendo e fazendo. Tal pessoa pode evitar pensamentos, palavras e ações que causam sofrimento para ela mesma e para os outros.”

“Crianças, viver em plena atenção significa viver no momento presente. Uma pessoa é consciente do que está acontecendo dentro dela e ao seu redor. A pessoa está em contato direto com a vida. Se a pessoa continua a viver desse modo, será capaz de profundamente entender a si mesma e ao que está a sua volta. Entendimento leva à tolerância e ao amor. Quando todos os seres se entenderem, eles se aceitarão e se amarão. Então não haverá tanto sofrimento no mundo. O que você pensa Svasti? As pessoas podem amar se elas são incapazes de se entender?”

“Respeitável Mestre, sem entendimento, o amor é bem difícil. Me lembra algo que aconteceu com minha irmã Bhima. Uma vez ela chorou a noite toda até que minha irmã Bala perdeu a paciência e deu umas palmadas nela. Isso apenas fez Bhima chorar mais. Eu peguei Bhima e percebi que ela estava com febre. Tinha certeza que sua cabeça deveria estar doendo por causa da febre. Chamei Bala e disse a ela que colocasse a mão na testa de Bhima. Quando ela fez isso entendeu de uma vez porque Bhima estava chorando.Seu olhos amoleceram e ela pegou Bhima nos seus braços e cantou para ela com amor. Bhima parou de chorar mesmo ainda com febre. Respeitável mestre, penso que isto aconteceu porque Bala entendeu o porque de Bhima estar chateada. E assim penso que sem entendimento, o amor não é possível.”

“Isso mesmo Svasti! O amor só é possível quando há entendimento. E somente com amor pode haver aceitação. Pratiquem viver em plena atenção crianças e vocês aprofundarão seu entendimento. Serão capazes de entender a vocês mesmos, às outras pessoas e todas as coisas. E vocês terão corações de amor. Este é o caminho que eu descobri.”

Svasti juntou as palmas das mãos. “Respeitável Mestre, podemos chamar este caminho do ‘Caminho da Plena Atenção’?”

Sidarta sorriu “Claro. Podemos chamá-lo de o Caminho da Plena Atenção. Eu gosto muito. O Caminho da Plena Atenção leva ao perfeito Despertar.”

Sujata juntou as palmas das mãos e pediu permissão para falar. “Você é aquele que despertou, aquele que mostra como viver em plena atenção. Podemos chama-lo de ‘O Desperto’?”

Sidarta fez que sim com a cabeça. “Isto me agradaria muito.”

Os olhos de Sujata brilharam. Ela continuou “Desperto em Magadhi é pronunciado como budh. Uma pessoa desperta deveria ser chamada Buda em Magadhi. Podemos chamá-lo de Buda?”

Sidarta fez que sim com a cabeça. Todas as crianças estavam extasiadas. Nalaka, um menino de 14 anos, o mais velho do grupo falou: “Respeitável Buda, estamos muito felizes de receber seus ensinamentos sobre o Caminho da Plena Atenção. Sujata me disse como você meditou sobre esta árvore nos últimos 6 meses e como na última noite obteve o Grande Despertar. Respeitável Buda, esta árvore é a mais bonita da floresta. Podemos chama-la de ‘Árvore do Despertar’, a ‘Árvore Bodhi’? A palavra bodhi divide a mesma raiz da palavra Buda e também significa despertar.”

Gautama fez que sim com a cabeça. Ele também estava deleitado. Ele não tinha adivinhado que durante seu encontro com as crianças o caminho e mesmo a grande árvore receberiam nomes especiais.

(Traduzido do livro “Old Path White Clouds” sobre a vida do Buda – Thich Nhat Hanh)

Vídeos: O Estudo Científico da Meditação


Compartilhamos dois vídeos sobre o estudo científico da meditação. O primeiro é a gravação de um programa de National Geographics (NatGeo) da série “A Incrível Máquina Humana” :

O segundo fala de pesquisas na UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo):

Gassho

Fukudenkai – Costura Budista


Fotos da Aula de Costura Budista de dia 29 de setembro:

Comentário de um participante:
“Gostei muito da prática da costura budista, pois nos faz ver e estar no aqui, agora, nas atividades do dia a dia. Mais do que palavras, a prática me fez ver que não precisamos nos sentar para meditar, para estar no aqui,agora, o que necessitamos é estar presente na atividade que estivermos desenvolvendo. Realmente muito boa a prática, muito obrigada.
em gassho,
Ieda”

Zazen no novo local de prática


todo sábado e domingo a partir de 14 de julho de 2007

Rua Ramiro Barcelos,1843
(fica na primeira quadra entre a Osvaldo Aranha e a Vasco da Gama, ao lado do Teatro de Cultura)
Bairro de Bom Fim – Porto Alegre
Centro de Yoga Ganesha Puja

 

Primeiro Zazen no novo local de prática!

Horários da Prática

Sábados:
17:30 Zazen (meditação Zen)*
18:00 Portal do Doce Néctar (cerimônia)
19:00 Palestra do Darma e Chá

Domingos:
9:00 Chôka
9:15 Grupo de Estudos (grupo fechado)
14:30-16:30 Aulas (confere a programação)
17:00 Zazen*, Leitura de Sutra e Chá

* pessoas novas devem chegar para o Zazen com 30 minutos de antecedência, vestidas de roupa discreta porém folgada, para poder sentar confortávelmente.

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