As Raízes do Romantismo Budista (5)

As Raízes do Romantismo Budista
por
Thanissaro Bhikkhu

Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4

Parte 5 (de 8 )

Tomando o Metodismo (*) como base para fornecer duas categorias de classificação para todas as experiências religiosas de conversão e santificação, James deu uma interpretação romântica às duas. Para os metodistas, essas categorias se aplicavam especificamente na relação da alma com Deus. A conversão seria a volta da alma para a vontade de Deus; a santificação, a sintonia da alma com a vontade de Deus em todas as suas ações. Para aplicar tais categorias a outras religiões, James removeu as referências a Deus, deixando uma definição mais romântica: a conversão unifica a personalidade, a santificação representa a integração contínua desta unificação na vida diária.

Além disso, James seguiu os românticos ao julgar os efeitos dos dois tipos de experiências nos termos deste mundo. Experiências de conversão são saudáveis quando promovem a santificação saudável: a capacidade de manter a integridade nos altos e baixos da vida diária, atuando como um membro responsável e moral da sociedade humana. Em termos psicológicos, James viu a conversão simplesmente como um exemplo extremo das descobertas [breakthroughs] normalmente encontradas na adolescência. E ele concordou com os românticos que a integração pessoal seria um processo a ser perseguido por toda a vida, ao invés de uma meta a ser alcançada.

Outros escritores que assumiram a psicologia da religião depois de James criaram um vocabulário mais científico para analisar os seus dados. Ainda assim, eles mantiveram muitas das noções românticas que James tinha introduzido.

Por exemplo, em O Homem Moderno em Busca de uma Alma (1933), Carl Jung concordava que o papel apropriado da religião residia na cura das divisões dentro da personalidade, embora ele tenha visto a mesma divisão básica em todos os indivíduos: o ego, limitado e medroso contra o inconsciente, mais sábio e mais espaçoso. Assim, ele considerou a religião como uma forma primitiva de psicoterapia.Na verdade, ele realmente estava mais perto dos românticos do que James em sua definição de saúde psíquica. Citando a afirmação de Schiller de que os seres humanos são mais humanos quando estão brincando, Jung viu o cultivo da espontaneidade e a fluidez ambos como meios de integração da personalidade dividida e como expressões da personalidade saudável envolvida no processo incessante de integração – interna e externa – por toda a vida.

Ao contrário de James, Jung viu a personalidade integrada como estando acima dos limites rígidos da moralidade. E, embora ele não use o termo, ele exaltou o que Keats chamou “capacidade negativa”: a habilidade para lidar confortavelmente com as incertezas e mistérios, sem tentar impor certezas sobre eles. Assim, Jung recomendou tomar emprestado das religiões qualquer ensinamento que auxiliasse no processo de integração, rejeitando qualquer ensinamento que inibisse a espontaneidade do self integrado.

* Nota: Metodismo, seita de fé cristã protestante.

(continuar com Parte 6)

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Uma resposta to “As Raízes do Romantismo Budista (5)”

  1. As Raízes do Romantismo Budista (4) « Sanga Soto Zen Budista Águas da Compaixão 慈水禅堂 Ji Sui Zendô Says:

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