Prática na Associação RS Aikikai – Sanga Aikikai

A partir de terça-feira, dia 3 de junho, vamos ter prática de nossa ‘sanga-irmã’, a Sanga Aikikai, duas vezes por semana no Dojô Porto Alegre Aikikai da Associação RS Aikikai localizado na Av. Cristóvão Colombo, 378 – Floresta (ver como chegar).

Programação:
Terças – das 19h às 20h – Zazen (30′), Bate-papo e Chá (30′);
Quintas – das 20h às 21h30 – Zazen (30′), Palestra sobre Espiritualidade (30′), Perguntas e Respostas (30′)

Os ideogramas de “Budô”, que costumam ser erroneamente traduzidos como “Arte Marcial”, têm pouco a ver com Marte. Sua sintonia maior é com Athena, deusa guerreira grega da sabedoria, artes e justiça.

Na Wikipédia, em um artigo sobre Ares (o deus grego que deu origem ao deus romano Marte) lemos que “entre os gregos sempre houve desconfiança com Ares. Embora sua meia irmã Athena também fosse uma deidade da guerra, a posição dela era a favor de uma guerra estratégica, enquanto Ares tendia para a violência imprevisível da luta.”

Os dois ideogramas da palavra “Bu-dô” juntos significam “o caminho” (dô) de “deter a violência” (bu). O ideograma “bu” representa duas lanças cruzadas e uma pessoa sentada com a palma da mão levantada fazendo o sinal “pare”. Transmite a idéia de “parar com as lutas”. O ideograma “dô” significa “caminho espiritual”.

Algumas pessoas questionam a associação do Budô com o Zen Budismo, embora, de acordo com a tradição, tanto um quanto o outro já estavam vinculados ao Primeiro Ancestral Mestre Bodhidarma, no Templo Shaolin, na China antiga.

O Budismo nunca pregou a violência – sempre pregou as consequências cármicas de todos os nossos atos. A aproximação dos Samurais japoneses com o Zen se deu principalmente depois a unificação do Japão, com o início da era Tokugawa, ou Período de Edo (1603-1867) – uma longa era de paz. Os Samurais, antes guerreiros, passaram a ser policiais e burocratas e, agora com condições de cultivar a espiritualidade e o caráter, as técnicas marciais (Bu-jutsu) se transformaram em artes marciais (Bu-dô), caminhos espirituais. Mais ainda, um templo budista acolhe a todos, sem discriminação nenhuma, na esperança de transmitir os ensinamentos budistas, e também levar a Paz e a Tranquilidade a todos. Assim, os monges receberam os samurais japoneses na antiguidade, da mesma forma que hoje em dia recebem policiais e militares, junto com profissionais de quaisquer outras áreas – sem discriminação.

Os ensinamentos do Budô buscam o cultivo da ‘espada que dá vida’ – a força interior que permite ‘vencer’ um conflito sem a necessidade de luta ou violência. Em tal situação, não há ‘vencedor’, nem ‘derrotado’, e a harmonia é reestabelecida. No treinamento Zen Budista, na Cerimônia de Combate do Darma, é usada uma espada simbólica e, quando o Mestre pergunta: ‘Para quê vai usar essa espada?’, o aluno responde: ‘para dar vida!’

O Budismo reconhece a necessidade de firmeza e de força interior. Muitas da imagens da iconografia Budista mostram figuras carregando espadas – a espada que dá vida, que corta as delusões. O próprio Buda histórico era mestre das artes marciais de sua época, e a sua força interior é claramente demonstrada na história de seu enfrentamente do elefante enloquecido. No livro Velho Caminho, Nuvens Brancas, lemos:

“[…] estavam mendigando na capital, quando Venerável Ananda percebeu um elefante correndo na direção deles. Aparentemente havia escapado dos estábulos reais. Ananda reconheceu-o como sendo o elefante chamado Nalagiri, famoso por seu comportamento violento. O monge não podia entender como o tratador real o tinha deixado fugir. Tomadas de pânico, as pessoas corriam em busca de refúgio. O elefante levantou sua tromba, ergueu a cauda e as orelhas e se dirigiu diretamente para onde estava o Buda. Ananda agarrou-o pelo braço tentando levá-lo para um lugar seguro, mas ele não se deixou arrastar. Ficou calmamente ali, de pé, imperturbável. Alguns bhikkhus agacharam-se por trás do Gautama enquanto outros sumiram. As pessoas gritavam para o Buda salvar a sua vida. Ananda prendeu a respiração e ia colocar seu corpo à frente, entre Nalagiri e o Buda. Naquele exato momento, para a surpresa de Ananda, o Buda soltou um majestoso urro estridente. Era o som da Rainha Elefanta cuja amizade ele conquistara muito tempo antes, na Floretas de Rakita, em Parileiaka.

Nalagiri estava a poucos metros do Mestre quando ouviu aquele som retumbante e, subitamente, estancou sua carreira. O poderoso elefante ajoelhou-se com as suas quatro patas, abaixando a cabeça até o chão como se fizesse uma prostraçào para o Buda. Gentilmente, ele afagou a cabeça do animal, e, então, segurando a tromba com uma das mãos, levou a obediente Nalagiri de volta aos estábulos reais.” (p. 402)

Seguem palavras do fundador do Aikido, o Mestre Morihei Ueshiba:

“Eu senti como se o universo de repente tremesse e um espírito dourado saiu da terra, envolveu meu corpo e o transformou num corpo dourado.

Ao mesmo tempo minha alma e meu corpo se tornaram luz. Eu pude entender o murmúrio dos pássaros e estava claramente consciente do espírito de Deus, o Criador do universo.

Naquele momento eu recebi iluminação: a fonte das artes marciais é amor divino – o espírito da proteção do amor para todos os seres. Lágrimas de alegria ilimitadas fluiram pela minha face.

Depois disso eu senti como se o mundo inteiro fosse minha casa e o sol, a lua e as estrelas pertencessem a mim. Eu fiquei livre de todos os desejos, não apenas de prestígio, fama e posses, mas também do desejo de ser forte. Eu compreendi que arte marcial não é derrotar um oponente pela força…. O treino de artes marciais é para receber o amor de Deus, que é o que cria, protege e nutre tudo na natureza, e torná-lo próprio – pratique isto em sua própria alma e corpo.”

Mestre Ueshiba (“O-Sensei”) era praticante da seita xintoísta Oomoto e do Budismo Shingon, e desenvolveu uma profunda compreensão do Darma – os Leis Universais.

É impossível evitar os conflitos neste mundo. Não podemos simplesmente nos deitar no chão e nos fazer de capachos para as pessoas violentas. Tampouco podemos simplesmente permitir que as nossa crianças sejam abusadas ou as casas roubadas. Temos que saber nos defender. Temos que ter consciência e saber administrar a nossa própria força. Temos que saber proteger os mais fracos. Procuramos fazer isto da forma menos violento possível, sem raiva e com compaixão no coração. Para erguer a ‘espada que dá vida’, temos que purificar o coração de todos os venenos – nos libertar dos apegos, aversões e ignorâncias. Isto é a nossa prática.

A prática está aberta para todos os interessados, mesmo sem ser praticante do Aikidô. Sejam bem-vindos!

Gassho

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4 Respostas to “Prática na Associação RS Aikikai – Sanga Aikikai”

  1. Luanna Santos Says:

    Ola?, sou de Porto Alegre, vocês não tem algum telefone que eu possa entrar em contato com vocês?, Obrigada!, Beijos!

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  2. Cristiano Castro Says:

    Certa feita nos idos dos anos 70, um garoto depara-se com o seriado de TV Kung Fu -protagonizado por David Carradine no papel de um monje Shao Lin que deixara sua terra natal para encontrar-se com o irmão no ” novo mundo “. A produção pecava em verossimelhança no visual de suas personagens ( as sombrancelhas ds mestres eram postiças, as carecas fajutas ) contudo, a força dos diálogos nos quais um jogo sensato de palavras surgia de forma a trazer-nos proveitosos ensinamentos. Eis que passados 30 anos desse primeiro contato com o” universo marcial “, o referido garoto vem nesse espaço compartilhar a alegria ao tomar conhecimento dessa parceria há muito desejada de RS Aikikai e Sanga Soto Zen. Que as sementes de sabedoria espalhadas pelos agrônomos multi-milenares do Budô floresçam neste recanto sulista. Para o bem de todos os seres . Um caloroso Gasshô à brasileira !

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  3. Kadica Says:

    Oi Cris!!

    Tudo bem meu amigo??
    Bom te ver por aqui, bom te ver sempre!

    Gassho!

    Kadica

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  4. Isabel Says:

    Olá. gostaria de conhecer sobre a pratica e os fundamentos do zen budismo. Qual a melhor maneira para começar? literatura, palestras…
    grata

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