Desarmonia na Ordem

Mahâvagga X.1 (Texto da Vinaya – Regras Monásticas)

(1) O Ser Honrado do Mundo a seguir foi para o sul, cruzando o Rio Ganges e peregrinou através do país de Wansa. Ele então entrou em Kosambi e permaneceu durante algum tempo no Parque Ghositarama.

Nesta ocasião um discípulo cometeu uma falha menor. Primeiramente, ele pensou que tivesse cometido uma falha, enquanto outros discípulos não consideravam isso como falha. Após um certo tempo, ele veio a pensar que não tinha cometido qualquer falha, enquanto outros discípulos vieram a pensar que ele tinha cometido essa falha. Os discípulos disseram para ele: “Amigo, cometestes uma falha. Tens que admitir isso.” “Não cometi qualquer falha”, foi a resposta. Devido a ele não admitir sua culpa, os discípulos de acordo com as regras da Sanga o puniram com a expulsão.

Entretanto, porque ele era muito ilustrado, conhecendo bem os ensinamentos, inteligente e dotado com o desejo para praticar o Caminho, ele não seguiu as regras da Sanga e disse para os seus amigos. “Amigos, isto não é uma falha. E não é correto me expulsarem. Eu desejo que vocês confiem nos ensinamentos e nas regras e se tornem meus defensores”. Depois disso ele enviou mensageiros para seus amigos que tinham se mudado para outras partes e pediu que eles o apoiassem e fossem seus defensores. E teve a concordância deles.

Desta maneira, os discípulos que o haviam expulso e aqueles que o defenderam começaram a discutir asperamente sobre o assunto. A separação entre eles gradualmente se aprofundou. Um discípulo contou ao Ser Honrado do mundo o que ocorria, e o Ser Honrado do mundo lamentou. “A harmonia entre os discípulos foi destruída.” Ele foi até os discípulos que tinham expulso o seu monge e disse: “Oh, discípulos, é um erro afirmar que é seu dever, qualquer que seja a causa, expulsar um discípulo. Oh, discípulos, aqui temos um discípulo que cometeu uma falha. Esse discípulo entretanto pensa que não foi uma falha. Mas outros pensam que sim. Neste caso, o discípulo é profundo no seu conhecimento, claro nos ensinamentos, conhecedor das regras, e tem o desejo de praticar o Caminho. Mas se expulsaram o discípulo e recusam qualquer relacionamento com ele, surge a desarmonia na Sanga e virão disputas; vocês devem dar mais importância à harmonia na Sanga e não expulsar aquele Bhikkhu”.

O Ser Honrado do Mundo então voltou-se aos discípulos que defendiam o discípulo e disse, “Oh, discípulos, quando vocês cometerem uma falha, não devem pensar que não a cometeram e que não há necessidade de corrigir o erro. Suponhamos que há um discípulo que cometeu uma falha mas não entende como falha, enquanto outros discípulos pensam que é uma falha. Neste caso se o discípulo reconhece os outros que a ele se opõem como profundos no conhecimento, claros nos ensinamentos, conhecedores das regras, inteligentes e desejosos de praticar o Caminho, nele não despertará apego, raiva, ignorância, nem medo devido a ação dos monges; e porque ele não admite sua falha, os discípulos oponentes tem a investidura de o expulsarem. Quanto ele vê que devido a isso, a desarmonia se implantou na Sanga e a disputa irrompeu, em nome da fé dos outros e para enfatizar a importância da harmonia na Sanga, ele deve admitir que falhou.” O Ser Honrado do Mundo desta maneira ensinou e iluminou os discípulos de ambos os lados e retornou aos seus aposentos.

(2) Entretanto, mesmo com as repreensões do Ser Honrado dos Mundos, os discípulos que tinham se dividido em duas facções praticavam os seus jejuns separadamente e executavam as cerimonias da Sanga separadamente. Eles faziam crescer com veemência os seus argumentos, e, gradualmente, as suas três ações cármicas – física, mental e verbal – os tornaram muito diferentes dos discípulos do Buda. O Ser Honrado do Mundo reuniu os seus discípulos muitas vezes e disse, “Oh, discípulos quando a Sanga não está em harmonia, as ações de cada membro tem que ser ainda mais respeitosas. Quando as ações não estão de acordo com as regras ou não são bondosas, devem decidir não fazer qualquer coisa discordante e ficarem no seu lugar. Oh, discípulos, interrompam a disputa. Não continuem em desarmonia”.

Um discípulo então disse, “Ser Honrado do Mundo, por favor, espere mais um pouco. Por favor saboreie a profunda meditação de um Ser Honrado do Mundo. Nós tomaremos a responsabilidade por essa luta e desarmonia e a resolveremos”.

O Ser Honrado do Mundo repetiu as suas palavras, “Oh, discípulos parem de brigar. Não deverão continuar em desarmonia”. O discípulo novamente fez frente ao Ser Honrado do Mundo e repetiu a mesma coisa, rejeitando as admoestações do Ser Honrado do Mundo.

A História do Rei Brahmadatta

Neste ponto, o Ser Honrado do Mundo falou aos discípulos. “Oh, discípulos, a muito tempo em Benares havia um rei, Brahmadatta, do reino de Kasi. Próspero e florescente, ele tinha um forte exército com muitos veículos de rodas, e muitos reinos o seguiam. Neste tempo havia no reino de Kosala um rei chamado Kighiti. Ele era pobre, com um pequeno exército e um pequeno reino. Na verdade ele não era uma ameaça para o Rei Brahmadatta. Ele ouviu dizer que Brahmadatta tinha preparado quatro exércitos e estava vindo para derrotá-lo numa batalha. Na verdade, entretanto, ele não era uma ameaça para o Rei Brahmadatta. Ele pensou, “Meu reino é pequeno e sem defesa. Devido ao fato de que seria difícil enfrentar a Brahmadatta e me envolver com ele numa batalha, seria melhor deixar o castelo e escapar.” E então sem luta ele deixou o seu reino para Brahmadatta. Levando a sua rainha, ele secretamente escapou para a vizinhança de Benares, disfarçou-se como um peregrino, e se escondeu na casa de um pobre moleiro. Após algum tempo a rainha engravidou, e como é comum acontecer durante a gravidez, ela teve um estranho desejo: queria beber a água usada para lavar as espadas dos soldados que estavam alinhados, ao amanhecer, em uma área plana de um campo de treinamento.

“Oh, Rainha, nós somos agora um povo derrotado. Como eu poderei fazer tal coisa?” Ao que a Rainha respondeu: “Oh, grande rei, se meu desejo não for atendido, eu morrerei”.

Mas o Rei Dighiti tinha um amigo, um Brahmane, que era conselheiro da casa do Rei Brahmadatta. O Rei Dighiti, não tendo outro recurso que não atender o desejo da rainha, foi até a casa do Brahmane para lhe pedir conselho. O Brahmane disse que gostaria de encontrar-se com a rainha, e deste modo o Rei Dighiti a trouxe com ele afim de que visse o Brahmane. Depois de ter visto a rainha, o Brahmane levantou-se do seu assento, dobrou seu manto sobre um dos ombros e olhou-a diretamente no rosto. Após juntou as mãos em respeito e a saudou três vezes entoando um cântico de alegria, “Oh, verdadeiramente o rei de Kosala veio morar em seu ventre”. Então disse, “Oh, rainha não perca a esperança. O seu desejo será certamente cumprido.”

“O Brahmane sendo o conselheiro do rei, imediatamente foi ter com o Rei Brahmadatta e disse, “Grande Rei um auspicioso sinal manifestou-se. Amanhã, no nascer do sol, reuna seus quatro exércitos no campo de treinamento. Eles tem que lavar as suas espadas”. O Rei imediatamente deu a ordem conforme o Brahmane lhe pediu.

“Desta maneira o desejo da rainha foi atendido, e quando a gravidez terminou, ela deu nascimento a um príncipe que recebeu o nome de Dighayu. Quando o príncipe foi capaz de utilizar o seu julgamento, o Rei Dighiti pensou, “Brahmadatta espera a nossa destruição. Se nós três formos achados ao mesmo tempo, ele certamente matará a todos. Seria melhor para Dighayu fosse educado em outro lugar. E assim ele e a sua esposa passaram a viver na cidade, e Dighayu foi levado para fora.

(3) “Naquele tempo, o barbeiro do palácio em Kosala vivia na casa de Brahmadatta. Certo dia, ele viu o seu senhor anterior, o Rei Dighiti e sua esposa vestidos como viajantes e soube que viviam numa cidade perto de Benares. Ele contou isso ao Rei. E o Rei Kighiti e sua esposa foram imediatamente capturados, tiveram as mãos atadas nas costas, e foram impelidos por encruzilhadas e encruzilhadas até o terreno onde eram feitas as execuções.”

“Justamente naquela ocasião, o príncipe Dighayu entrou na cidade e, por sorte pela primeira vez durante um longo tempo, viu os seus sofridos pai e mãe. Surpreso ele estava pronto para correr até eles quando uma voz fez com que parasse no seu intento. A voz dizia: “Dighayu não deves olhar longamente. Não deves também olhar superficialmente. A razão é que o ódio não é extinto pelo ódio. O ódio é extinto quando não mais existe ódio.” Como as pessoas não sabem quem é Dighayu, elas não podiam compreender as palavras que foram ditas. Eles pensaram que o Rei Dighiti tinha ficado insano e estava pronunciando palavras sem qualquer sentido. O Rei Dighiti continuou dizendo, “Eu não sou louco. O que estou dizendo não é algo sem sentido. Aqueles que tiverem coração compreenderão. Dighayu, não olhe tão longamente. A razão é que o ódio não é extinto pelo ódio. O ódio só desaparece quando não há mais ódio”. Ele repetiu três vezes essas palavras. Antes que Dighayu pudesse fazer alguma coisa, seu pai e mãe foram levados para o campo das execuções, esquartejados e os seus restos espalhados. Um grupo de soldados permaneceu em guarda. Dighayu foi até a cidade e comprou vinho. Ele o deu aos guardas que ficaram completamente embriagados. Ele então recolheu gravetos e cremou os restos dos seus pais numa pira. Ele juntou as mãos e curvou-se em reverência. Era a única coisa que podia fazer para expressar sua dor e seu respeito por eles. O Rei de Kasi, Brahmadatta, viu ao fogo de um andar superior do seu palácio, e pensou consigo mesmo, que esse seria um trabalho de alguém relacionado com a família Kosala, ninguém veio a ele informá-lo. Ele se sentiu desconfortável e amedrontado.

“O príncipe Digahyu foi para a floresta onde jejuou, passando muitos dias chorando e esperando para que o seu coração encontrasse alguma paz. O dia finalmente chegou e ele sentiu na sua mente que era o momento de deixar a floresta. Foi para a área do palácio e pediu ao treinador de elefantes que o fizesse um seu aprendiz. O treinador de elefantes alegremente o aceitou.

“Dighayu passou aquela noite no estábulo do elefante, e, depois de caminhar indo e vindo, foi para fora e começou a soprar a sua flauta e a cantar. Por acaso o Rei estava também gozando o frescor das brisas frescas do alvorecer, e foi tocado pelo belo canto e pelo som da flauta. Quando soube que a voz pertencia a um aprendiz do treinador de elefantes, fez que ele viesse a ser um dos seus atendentes. Dighayu atendeu as ordens do Rei e fez tudo que pode para conquistar as suas graças. O rei estava alegríssimo, confiava nele e o elevou a um alto posto.”

(4) “Certo dia, o rei levou Dighayu a uma caçada. Dighayu era quem controlava a carruagem do rei, distanciou-se dos soldados e foi para o campo. O rei disse, “Jovem, pare a carruagem pois estou cansado e quero tirar uma soneca.” Dighayu parou a carruagem e sentou-se no chão. O rei usou o seu colo como um travesseiro e cedo caiu num leve sono.”

“Então Dighayu pensou, “Este rei é inimigo de meu pai e da minha mãe. Por causa dele eles perderam o seu reino e as suas vidas. Agora é o momento de me vingar.” Alegremente e bravamente ele puxou a sua espada fora da sua bainha e apontou-a contra o rei adormecido. Foi quando as palavras do seu pai, que foram as suas últimas, vieram flutuando ao seu peito. Quando relembrou essas palavras retornou a espada para sua bainha.

Duas e três vezes, Dighayu pensou, “Agora é uma boa oportunidade. Eu tenho que me vingar.” Ele buscava a sua espada mas, em cada ocasião as últimas palavras do seu pai o dissuadia e ele embainhava a sua espada.”

“Depois de um certo tempo, o Rei Brahmadatta abriu rapidamente os seus olhos, e acordou cheio de pavor, olhando a sua volta. “Grande Rei porque estais tão assustado e acordastes tão subitamente?” Oh, jovem enquanto eu estava adormecido, Dighayu o príncipe do reino de Kosala, estava me ameaçando com uma espada na mão. Esta é a razão pela qual acordei tão apavorado. E nisso, Dighayu segurou a cabeça do rei com a sua mão esquerda, e desembainhou a espada com sua mão direita, dizendo, “Grande Rei, eu sou Dighayu, filho de Dighiti de Kosala. Trouxestes a miséria ao meu reino. Matastes meu pai e minha mãe. Eu nunca tive uma melhor chance para limpar-me do ódio.” O Rei colocou a sua cabeça nos pés de Dighayu e disse, “Por favor Dighayu poupa a minha vida.” E então Dighayu falou as ultimas palavras do seu pai e, então, pediu o perdão ao Rei pelo seu ato. O rei ficou surpreso e cheio de alegria e disse, “Muito bem poupastes a minha vida e eu pouparei a sua vida!” Os dois que pouparam um a vida do outro deram as mãos e prometeram ajudar um ao outro a partir desse momento e juraram nunca fazer mal ao outro”.

(5) Os dois homens deixaram a caça e retornaram ao palácio. O Rei reuniu os seus conselheiros juntos e disse a eles, “Se vocês encontrassem Dighayu, o príncipe de Kosala, aqui, o que fariam com ele?” “Eu cortaria as suas mãos.” “Eu cortaria os seus pés”. “Eu cortaria os seus pés e as mãos.” “Eu arrancaria as suas orelhas”. Houve várias respostas. O Rei disse, “essa espécie de ação não é mais necessária. Eu fui poupado na minha vida pelo príncipe Dighayu, e eu, também poupei a sua vida.”

“O rei então ficou de frente com Dighayu, e lhe disse, “Caro Dighayu, qual é o significado das últimas palavras do seu pai.?” “Grande Rei, as últimas palavras do meu pai, “Não olhe longamente”, significa não guarde rancor por muito tempo. “Não olhe rapidamente”, significa não quebre as amizades rapidamente. “O ódio não é extinto pelo ódio; o ódio extingue-se quando não existe ódio”, Se por causa do meu pai e mãe terem sido mortos pelo grande rei, eu tirasse a vida do grande rei, aqueles que estão a sua volta tirariam a minha vida. Se isso acontece, então os meus seguidores os matariam. Deste modo o ódio nunca é extinto pelo ódio. E é essa razão porque o meu pai me ensinou essas coisas pouco antes que morresse.”

“Oh, discípulos, neste momento, Brahmadatta, rei de Kasi, louvou a atitude do Príncipe Dighayu pela sua sabedoria e lhe deu de volta o seu reino. Ele deu a aia mais a sua filha como sua esposa e fizeram um voto de eterna paz.”

“Oh, discípulos, este é o sinal da abertura e do gentil amor de um rei que carrega nas suas mãos armas e espadas. Vocês são monges que deixaram as suas casas para entrar nesses bem explicados ensinamentos e disciplina, não é isso? Deverão também brilhar com um gentil amor e clemência. Oh, discípulos, vocês não deverão brigar. Não deverão continuar em desarmonia.”

(6) A despeito dessa gentil admoestação pelo Rei Honrado do Mundo, os discordantes discípulos não aceitaram tais palavras, dizendo, “Ser Honrado do Mundo, por favor espere mais um pouco. O Ser Honrado do Mundo deve entrar na profunda meditação de um Ser Honrado do Mundo. Nós tomaremos a responsabilidade para terminar esta briga”.

Ao ouvir isso, o Ser Honrado do Mundo pensou, “Esses ignorantes tiveram a sua mente privada pela formalidade e perderam visão do espírito, e sendo assim não é fácil raciocinar com eles”. Assim, levantou-se do seu assento e partiu, indo para a vila Palaka, no bosque de bambu de Pacina, e depois para o bosque de Parileyysta, e finalmente parou para morar no Parque de Rakkhita, distante daqueles que brigavam e do turbilhão. Ele teve o prazer do silêncio de morar sozinho. Assim com o rei dos elefantes deixa a sua manada de fêmeas, machos e elefantes ainda jovens de tempos em tempo afim de gozar a paz e a quietude, assim ele fez para gozar essa paz e quietude. Logo após, o Ser Honrado do Mundo entrou em Sravasti e passou a residir no parque Jetavana.

Após o Ser Honrado do Mundo ter os deixado, o povo de Kosambi se tornou raivoso com relação aos discípulos desarmoniosos. “Esses discípulos são a razão pela qual o Ser honrado nos deixou. Esses discípulos serão desvantajosos para nós. Vamos parar de os reverenciar, de oferecer coisas para eles. E então esses discípulos reverterão ao seu estado de leigos e deixarão a Sanga. E isso trará a paz ao coração do Ser Honrado do Mundo.” E eles fizeram o que pensaram e pararam de alimentar aos monges. Os discípulos não mais recebiam alimentos e se tornaram fracos com a fome, e decidiram cessar as suas brigas em frente do Ser Honrado do Mundo. Deixando de lado as suas almofadas eles tomaram os seus mantos e tigelas de oferendas e partiram de Kosambi para Sravasti.

Em Sravasti, Sariputra e uma hoste de outros discípulos perguntaram ao Ser Honrado do Mundo como deveriam tratar esses discípulos vindos de Kosambi. Ele lhes contou para diferenciarem os corretos dos incorretos e tratarem os corretos tão bem quanto possível. Muitos fieis seguidores incluindo o velho Anathapindaka, também perguntou como eles deveriam ser tratados e recebeu a resposta que deveriam receber alimento igual aos outros.

Quando os discípulos vindos de Kosami entraram no Parque Jetavana, começando com os discípulos que cometeram a falha, começaram a dar-se conta do tamanho dessa falha. Desta maneira o coração do discípulos dissidentes gradualmente foi amolecendo, e eles mutuamente se uniram e mostraram um harmonioso espírito. Foram capazes de reviver uma Sanga pacífica e harmoniosa na presença do Ser Honrado do Mundo.

– do Mahâvagga X (Texto da Vinaya – Regras Monásticas)
– Tradução: Lama Padma Samten

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