Sesshin de Inverno – Busshinji – São Paulo

Acontece de 22 a 26 de junho no Templo Busshinji o Sesshin de Inverno 2009.

As inscrições estão abertas e o período de cinco dias tem um custo de 150 reais. Avisamos que não dispomos de hospedagens, por isso os interessados devem providenciar alojamentos nos hotéis próximos, pensões ou na casa de amigos.

A Cerimônia de Abertura deve ocorrer no dia 22, às 10hs. Os inscritos devem chegar antes deste horário para os preparativos como entrega e preparo de oryoki, para os que não tiverem, ocupação dos locais de prática, funções, etc.

O retiro será coordenado pela equipe de monges do Templo Busshinji e, como responsável, o Superior Dosho Saikawa.

O Templo Busshinji fica na Rua S. Joaquim, 285, Bairro da Liberdade, São Paulo. Inscrições no local. Tels: (0xx11) 3208-4345/4515

Grande Espelho em São Paulo

Reproduzo duas fotos do novo prédio anexo ao Templo Busshinji em São Paulo, em fase final de construção e que deve ser formalmente inaugurado no mês de Novembro. Será um centro de treinamento oficial da escola Soto Zen para América do Sul. O nome do prédio é Dai Kankaku (Prédio do Grande Espelho), que significa a ausência total de ego e profunda integração com a natureza original das coisas.
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O Templo Busshinji continua recebendo doações para a finalização das obras. Faça a sua colaboração!

Ligue para (0xx11) 3208-4515 ou 3208-4345 e fale com Satico Suzuki ou Mitsuyo Kamimura.

Ver mais fotos no blog Sangha Margha

Refeição como Disciplina Espiritual (Lições do Tenzo Kyôkun) – 5

Refeição como Disciplina Espiritual
Lições do Tenzo Kyôkun – 5
por Tatsuzen Satô
Prof. da Faculdade Junior Ikuei, Japão

Texto introdutório: Repensando o Alimento
Parte 1: O Caminho do homem que cozinha
Parte 2: Os Efeitos espirituais do cozinhar
Parte 3: Lavando o Arroz, Lavando o Coração
Parte 4: Arranjo e Procedimento

caminhozen-img003(5) Discriminação para a Comida

O coração do ser humano manifesta uma variedade de sentimentos. E um deles é o de gostar de certos tipos de comida ou detestar outros. Mas não se pode dizer que esse é um sentimento totalmente ruim. Se por um lado ele pode motivar comentários das pessoas umas em relação às outras, não quer dizer que seja algo proposital.

Abrindo a geladeira, encontramos muitas coisas que gostamos, como carne, peixe e verduras. Dentro do coração, pensamos o que iremos preparar para o jantar. Mas por estarmos ocupados com o trabalho, por exemplo, não comemos toda a comida na refeição, deixando sobras de carne e peixe, desperdiçando vegetais.

Hoje em dia as pessoas dão muita importância à conveniência. O simples fato de tocarmos com as mãos a substância pura dos ingredientes já produz um bom sentimento e alegria. Mas tem pessoas que reclamam se o ingrediente é comum. No fundo a comida tanto pode ser boa como ruim. Cada comida tem um valor insubstituível. No entanto, mesmo sabendo disso, nós às vezes repetimos o sentimento de gostar e detestar, julgando o valor de cada alimento segundo a nossa conveniência.

Comparativamente, pode-se até chegar a pensar que para fazer uma comida deliciosa basta usar ingredientes caros. Mas não é bem assim. Em qualquer lugar, com qualquer ingrediente, a comida só será saborosa se houver o trabalho vivo do tenzo. Em geral deixamos transparecer o preconceito. Cozinhar parece ser algo livre, sem regras. Mas na verdade cozinhar é algo bem diferente. Esse sentimento no coração é influenciado pelo mundo exterior, sendo nada mais do que a expressão do individualismo. Se olhamos de forma superficial, não temos como vislumbrar o maravilhoso conteúdo inerente à comida. Visualizar o planejamento depende da atitude da pessoa que cozinha. A insatisfação por causa do ingrediente ser comum não é expressão da pobreza do coração da pessoa?

A mesma coisa se aplica ao relacionamento humano. Nossa atitude com as pessoas à nossa volta varia de acordo com o status, título e a condição externa. Uma pessoa que elogia outra pessoa mesmo tendo aversão à ela é alguém que eventualmente sente orgulho por estar numa posição mais alta do que os outros. A pessoa aparenta estar satisfeita, mas o sentimento que se manifesta não é bom.

A meta do aperfeiçoamento do caráter é eliminar o coração de discriminação com relação ao ingrediente. Mas para perdermos sinceramente o preconceito e fazer com que os pensamentos mundanos e a obsessão não se manifestem, é necessário preparação mental e treino. Escute as palavras do líder e das pessoas experientes, deslumbrando o seu próprio coração. Para este propósito, o tenzo nunca perde as sessões de meditação pela manhã e à noite.

Na vida diária, em vários aspectos, há um grande significado em considerarmos a harmonia.

A harmonia tem um grande significado nos mais variados aspectos da vida diária. Devemos pensar na harmonia entre o trabalho e o silêncio. Cozinhar é um mundo de trabalho. Trabalhando seriamente, com mais empenho, movendo o corpo, faz com que o tempo passe a ter um significado valioso.

A maneira de usar os ingredientes é a expressão do coração bondoso da pessoa que prepara a comida. Por outro lado, quando se toca a comida simples, o real valor da pessoa não é avaliado? Seja qual for a situação, o sentimento de preconceito em relação à comida não se manifesta. Valorizando a característica peculiar de cada coisa, estaremos vivendo de acordo com os pontos positivos de cada um. Mantendo tais sentimentos, quando o relacionamento humano existe, não se consegue enxergar os erros.

- Adaptado de texto publicado na revista Caminho Zen, Vol. 11, No. 1-2006

Continuar lendo:
Refeição como Disciplina Espiritual (Lições do Tenzo Kyôkun)
Parte 6: Respeitar a Comida

Textos de Mestre Dogen (7)

O Dharma quando se encontra um Instrutor Sênior que passou por cinco angôs[1].
(Taitaiko Gogejarihô)

de “Eihei Shingi” – “Regras Puras para a Comunidade Zen”
Dogen Zenji

1- Quando encontrar um instrutor sênior que tenha passado por cinco angôs, você deve vestir seu okesa e trazer o seu zagu[2].

2- Não use o okesa cobrindo os dois ombros. Um sutra diz: “Quando monges encontram Buddha, ou outros monges ou seniores, eles não devem usar o okesa sobre os dois ombros. [Se eles o fizerem], quando morrerem, eles entrarão no Inferno dos Grilhões de Ferro”[3].

3- Não se apresente em pé olhando para um sênior, enquanto estiver encostado em alguma coisa com suas pernas cruzadas.

4- Não se apresente em pé olhando para um sênior com seus braços balançando.[4]

5- Nunca ria ruidosamente, sem envergonhar-se ou causar constrangimentos.

6- Apresente-se de acordo com o “Dharma do Servir ao seu Mestre.”[5]

7- Se você é admoestado, faça uma reverência polidamente e ouça e aceite; e, de acordo com o Dharma, contemple e reflita sobre o que foi dito.

8- Sempre estimule uma mente humilde.

9- Não se coce ou cate piolhos enquanto estiver com um sênior.

10- Não cuspa na frente de um sênior.

11- Não mastigue seu palito de dentes [yôji] ou enxágüe sua boca enquanto estiver frente a um sênior.

12- Se o sênior não lhe convidou a se sentar [quando você estiver entre eles], não se sente informalmente.

13- Quando sentado na mesma plataforma, ao lado de um sênior de cinco angôs, não o toque [acidentalmente]

14- Não se sente no lugar onde um sênior de cinco angôs normalmente se senta ou descansa.

15- Você deve saber que qualquer um que tenha feito cinco ou mais angôs, tem a posição de ajari [instrutor]; alguém que tenha dez angôs ou mais, tem a posição de oshô [alto sacerdote]. Isto não é nada além um suave orvalho do dharma sem máculas.

16- Quando uma respeitável pessoa de cinco angôs  pedir para você sentar, faça gasshô e reverência; só então se sente. Cortesmente sente-se ereto e não encoste na parede.

17- Quando se sentar, não seja rude ou indulgente, recostando-se em algum móvel.

18- Se houver discussão você deve permanecer humilde e não tentar ganhar uma posição superior.

19- Não abra sua boca demasiado enquanto estiver bocejando; mas, cubra-a com sua mão.

20- Quando estiver diante de um sênior, não esfregue sua face, bata em sua cabeça com suas mãos, ou brinque com suas pernas ou braços.

21- Diante de um sênior não faça grandes barulhos de resfolegar ou suspiros. Comporte-se com decoro, de acordo com o Dharma.

22- Quando estiver diante de um sênior, mantenha seu corpo ereto e estável.

23- Se você vir um sênior chegando ao lugar onde você se encontra conversando com outro sênior; dê a eles o seu assento, abaixe a sua cabeça e aguarde por um momento pelas instruções dos seniores.

24- Quando você estiver do outro lado da parede do aposento de um sênior, não recite as escrituras em voz alta.[6]

25- A menos que um sênior lhe peça para faze-lo; não explique o dharma para as pessoas.

26- Se um sênior lhe perguntar algo, você deve dar a resposta apropriada.

27- Sempre observe a expressão de um sênior e não lhe cause desapontamento ou angústia séria.

28- Enquanto estiver diante de um sênior, não troque mesuras com seus pares.

29- Diante de um sênior não aceite prostrações de outros

30- Se houver algum trabalho pesado a fazer, onde esteja um sênior, faça-o, primeiro, você mesmo. Quando há alguma coisa agradável, ofereça-a ao sênior.

31- Se você se encontrar com um instrutor sênior que tenha passado por treinamento em cinco angôs, você deverá reverenciá-lo como um ancião. Não perca seu entusiasmo.

32- Se você tiver intimidade com um sênior que tenha feito cinco ou dez angôs, você deve, mesmo assim, perguntar a eles sobre o significado dos sutras e dos preceitos. Não se torne negligente ou preguiçoso.

33- Quando você percebe que um sênior está doente, você deve, respeitosamente, alimentá-lo e ajudá-lo a se recuperar de acordo com o dharma.

34- Quando você estiver diante de um sênior ou perto de seu quarto, não pronuncie palavras que não sejam benéficas ou que não tenham bom significado.

35- Quando diante de um sênior não discuta pontos bons e maus ou a força e fraqueza  de honoráveis mestres de outros templos[7].

36- Você não deve ignorar um sênior e entrar numa conversa ou questionamento sem propósito.

37- Não raspe sua cabeça, corte suas unhas, ou troque suas roupas de baixo quando na presença de um sênior.

38- Quando um sênior ainda não estiver adormecido, não vá dormir antes dele.

39- Quando um sênior ainda não começou a comer, não coma antes dele.

40- Quando um sênior ainda não tomou banho, não se banhe antes dele.

41- Quando um sênior ainda não se sentou, não se sente antes dele.

42- Se você encontrar um senior no caminho, reverencie-o com inclinação do corpo e, então, siga atrás do sênior. Se você receber alguma instrução do sênior, simplesmente obedeça-o e então retorne [ao que você estava indo fazer]

43-Se você perceber que um sênior esqueceu alguma coisa por engano, mostre-lhe cortesmente.

44- Se você vir um sênior cometendo algum erro, não ria ruidosamente.

45- Se você visitar o quarto de um sênior, primeiro estale os seus dedos (médio e polegar) três vezes no lado de fora da porta, antes de entrar.

46- Se você entrar no quarto de um sênior, entre beirando um lado do vão da porta. Não entre pelo centro do espaço da porta[8].

47- Quando você entrar ou sair do quarto de um sênior, tanto de cinco, como de dez angôs, você deve usar a escada de convidados, não a escada do anfitrião.[9]

48- Se um senior ainda não tiver terminado de comer sua refeição, não termine a sua antes dele.

49- Quando um sênior ainda não se puser em pé, não se levante antes dele.

50- Se um sênior estiver explicando os sutras para um doador, sente-se adequadamente ereto e ouça-o cuidadosamente. Não se levante rapidamente e saia. [10]

51- Não repreenda alguém que você pretende repreender, enquanto estiver diante de um sênior.

52- Diante de um sênior, não chame ninguém à distância em voz alta.

53- Não desate o seu okesa, deposite-o no quarto do sênior e, então, saia.

55- Quando um sênior estiver ensinando sobre um sutra, não corrija seus enganos desde um assento inferior.

55- Diante de um sênior não levante seus joelhos e os envolva com seus braços.

56- Quando um sênior estiver em um lugar inferior e você estiver num lugar mais alto, vocês não devem se curvar um para o outro.

57- Não faça reverência para um sênior desde o alto de seu assento.

58- Quando você estiver em seu lugar e vir um sênior em pé embaixo , não o reverencie em shashu.[11]

59- Você deve estar atento quando um professor sênior estiver presente.

60- Quando o discípulo de um sênior estiver presente, esteja atento sobre suas maneiras para com o professor e não perturbe o sênior.

61- Quando um sênior se encontra junto com um sênior, nenhum deles precisa seguir estas instruções (de encontro com um sênior).

62- Ver seniores é infindável. Na primeira prática de verão nós vemos seniores; no momento da suprema realização[12], nós vemos seniores.

O dharma anterior para encontros com sêniors de cinco ou dez angôs, é exatamente o corpo e a mente dos buddhas e ancestrais. Não deixe de estudar isto. Se você não estudar isto, o Caminho dos mestres ancestrais degenerará e o doce orvalho do dharma será extinto. No vasto céu do reino do dharma, isto é raro e difícil de encontrar. Somente pessoas que desenvolveram faculdades saudáveis através de vidas passadas podem ouvir isto. Em verdade este é o último degrau do Mahayana.

Ensinado à Assembléia no Segundo ano de Kangen (i.e., 1244), no terceiro mês, no vigésimo primeiro dia. na Província de Echiza, no Templo Yoshimine.[13]


[1] N. T. – Um “angô” é um período de prática intensiva, de 90 dias ou mais; originalmente realizado na época das chuvas de verão na Índia e, atualmente, realizadas uma, duas ou até três vezes por ano nos mosteiros japoneses.

[2] “Sênior” é taiko (maior do que si mesmo). “Instrutor” é ajari, usado em sânscrito é acharya, qualquer monge sênior qualificado para ter discípulos. No tempo de Dogen, os períodos de treinamentos de três meses eram feitos uma vez por ano, durante o verão. “Dharma” visto no título deste ensaio se refere a “ensinamentos” sobre a atitude adequada  diante da prática com outros; mas, eles podem, obviamente denotar as “maneiras” e, até, a “etiqueta” para os encontros com sêniors.

[3] No Soto Zen moderno, o okesa é normalmente usado sobre o ombro esquerdo, como é feito pelos monges Buddhistas. Quando na outorga da ordenação o durante a cerimônia de arrependimento, o monge que preside a cerimônia usa o okesa sobre os dois ombros. [NT: o uso do okesa sobre os dois ombros significa estar representando o próprio Buddha]. “Sênior” aqui e em alguns outros lugares deste ensaio é jôza, o que parece ser usado intercambiado com taiko. [NT: no Soto Zen moderno, o termo jôza é usado para referir-se a um noviço que ainda não foi shuso e ainda não realizou o combate de darma.]

[4] NT – Sem estar em Shasshu

[5] O “Dharma de Serviço ao seu Mestre” é um texto tanto atribuído aos Ancestrais Indianos como a outros textos que têm o mesmo nome por Daoxuan.

[6] NT – No japâo, as paredes divisórias internas nas casas de construção tradicional são de papel.

[7] “Honorável Mestre” é sonshuku (anciãos veneráveis)

[8] As instruções para se entrar nos quartos de seniores nos lembra das instruções para entrar no salão dos monges.  Veja o terceiro parágrafo de “O Dharma para Receber Alimentos”. (Fushuku Hanpô)

[9] “Escada de convidados e de anfitrião” não está claro. Pode ser que se refira aos lados esquerdo e direito das escadas que dão em um quarto de sênior.

[10] “Doador” é danotsu, derivado do sânscrito danapati. Dana, generosidade, é a primeira das seis perfeições no Buddhismo Mahayana. É o sistema de manutenção (patrocínio) para Templos Buddhistas Japoneses, desde o século dezessete, chamado de danka.

[11] (NT: os assentos para o zazen (tan) ficavam numa altura de mais ou menos 80 cm do chão).

[12] “Suprema realização” é gokuka (resultado final), que se refere ao fruto da prática e é igual ao estado de buddha.

[13] Templo Yoshimine é um pequeno templo perto de Eiheiji, onde a comunidade de Dogen permaneceu por volta de um ano enquanto se construía o Eiheiji.

Tradução: Pedro Federsoni, Sanga Águas da Compaixão
Revisão: Monja Isshin,  janeiro, 2009

Visita de Liana Utinguassú

visitalianautinguassu09-04-26aFoi com muito prazer que recebemos, no dia 26 de abril, a visita de Liana Utinguassú, autora do livro “O Chamado da Terra” (disponível na nossa lojinha) e presidente da Yvy KuraxôCoração da Terra, entidade jurídica de direito privado, sem fins econômicos, de assistência social, educação, arte e cultura e que tem como público beneficiário principal as comunidades indígenas do RS e do Brasil.

Depois de ouvir o filanzinho de nossa prácia de Baika (música budista) e participar conosco nas nossas práticas de Cerimonial e Zazen, compartilhou conosco a sua experiência na busca de suas raízes indígenas e nos mostrou instrumentos de som indígenas.

Todos se divertiram tentando – e finalmente conseguindo – tirar sons dos instrumentos e aguardamos com expectativa a sua próxima visita ao nosso grupo.