Estamos de Mudança

Comunicamos que a partir de 15 de dezembro, as nossas práticas serão realizadas no Espaço Dojinmon, R. Portugal, 733 – Higienópolis (mapa Google). Informamos também os novos horários das atividades de sábado (zazen às 17 horas e não mais às 17:30).

A nova programação é:

Sábados:
14:00-17:00 Aulas (confira na programação**)
17:00 Zazen (meditação Zen)*
17:30 Kanromon – Portal da Doce Néctar (cerimônia) e Chá
19:00 Palestra do Darma

Domingos:
14:30-16:30 Aulas (confira na programação**)
16:30 Prática do Cerimonial Soto Zen Budista
17:00 Zazen*, Prática de Samu e Chá

* As atividades regulares estão abertas a todos os interessados.
Pessoas novas
devem chegar para o Zazen com 30 minutos de antecedência, vestidas de roupa discreta porém folgada, para poder sentar confortávelmente. Não é apropriado vestir roupas como bermudas ou camisetas regata, por exemplo.

** veja a Programação no Agenda Google.

Registramos aqui a nossa profunda gratidão pelo acolhimente que recebemos durante os meses de julho até novembro pelo Centro de Yoga Ganesha Puja.

Maiores informações: telefone: (51) 9331-7476 ou, usando a “caixa” abaixo, envie um e-mail.

Apenas texto. Nenhuma marcação é permitida.

Ouvir a Voz do Vale

Ouvir a Voz do Vale
de Shundo Aoyama Rôshi
abadessa do Mosteiro Feminino de Aichi, Nagoya

A água do rio flui sempre, sem cessar. Flui rápida, não pára um só instante e se vai. Seu murmúrio evoca em mim o eco do tempo.

A água do tempo brilha no leito do Universo, sempre correndo, fluindo. Pedras, árvores, casas e cidades também fluem vagarosamente nesta correnteza, assim como os seres. tudo isso pode parecer imutável, mas na verdade essa idéia não passa de uma ilusão.

Apenas nós, seres humanos, acreditamos erroneamente que tudo é imutável. Esforçamo-nos para não sermos levados pela correnteza e lamentamos por tudo que se vai. No entanto, mesmo sofrendo e desdobrando-nos, caindo sete vezes e nos levantando oito, não há como parar o fluir, que envolve também nossa dor e nossa luta.

Ao invés disso, é melhor ver as coisas como são e nos juntarmos a essa correnteza, com suavidade. Apenas assim poderemos encontrar prazer na fugacidade das coisas, uma vez que é justamente essa fugacidade que tece as mais diversas figuras na tapeçaria da vida.

Quando o shijo [três toques do sino] anuncia o início do zazen [meditação sentada] e tudo está em silêncio, a voz do rio é alta e clara. Durante a caminhada kin’hin [meditação andando], seu som se atenua. E ao final da meditação, ao som do chukai [sinal do término da meditação], a voz do vale desaparece completamente. É muito interessante. Por que será? O som do rio do vale aumenta, diminui, desaparece, mas não é o rio que muda. quando as ondas de nossa mente se acalmam, podemos ouvir o sermão sem palavras da água, das gotas, da erva, das árvores, dos seixos e das montanhas nos ensinando a transitoriedade de todas as coisas. Quando surgem pensamentos, todos se calam. Na verdade, eles não deixam de falar; nós é que perdemos a capacidade de ouvi-los.

O que acontece com nossos ouvidos também acontece com nossos olhos. Quando o olhar da mente é límpido, vemos tudo como realmente é, de modo natural. Mas assim que os olhos se distraem com objetos externos, não vemos mais. Perdemos a capacidade de ver corretamente. Sons e imagens nos atacam, nos arrastam, nos puxam. Coisas que deveríamos ver, não vemos. Coisas que deveríamos ouvir, não ouvimos. Não é assim?

Se escutarmos o rio sem atenção, a água que corre parece ter um ritmo constante e ininterrupto. Entretanto, nenhuma gora d’água passa duas vezes sobre a mesma pedra. Não é nunca a mesma gota que forma o leito do rio ou o murmúrio da correnteza. A imutabilidade é apenas uma ilusão dos olhos e dos ouvidos humanos. Uma vez que tenha passado, a água não corre nunca mais no mesmo ponto do rio.

A vida humana não é diferente. Acreditar que ontem é igual a hoje é resultado de nossa ignorância e insensibilidade. Não nossas mentes e nossos olhos deludidos que vêem o passado igual ao presente. Os olhos iluminados vêem claramente a imagem das coisas em eterno movimento e reconhecem que um instante é diferente de qualquer outro.

Escrito durante a participação no Nehan Sesshin (retiro em memória à morte de Shakyamuni Buddha, realizado todos os anos em fevereiro) no Mosteiro Sede de Eihei-ji, em Fukui-ken.

de Shundo Aoyama Rôshi.

do livro Para uma pessoa bonita: Contos de uma mestra zen
Prefácio da Monja
Coen, traduzido por Tomoko Ueno.
São Paulo: Editora Palas Athena / Zen do Brasil, 2002. Pág. 17-18

Sutra Ullambana

Esta sutra Mahayana conta a estória que deu origem à Cerimônia de Obon:

Uma vez, o Buda, estando nos jardins de Jetavana, assim disse: Mahamaudgalyayana, que tinha seis qualidades sobrenaturais, sentia grande desejo de manifestar sua gratidão e transferir seus méritos a seus pais para que eles viessem a renascer na Terra e, assim, poder reencontrá-los.

Espírito Faminto

Sua mãe estava encarnada no Reino dos Fantasmas Famintos, muito enfraquecida, com a pele colada aos ossos, procurando por alimentos. Mahamaudgalyayana, ao ver o sofrimento de sua mãe, ficou muito triste e, para aliviá-la, encheu sua tigela com arroz e ofereceu a ela. Com a mão esquerda, ela encobria a tigela e, com a direita, levava bolotas de arroz à boca que se convertiam em pedaços de carvão. Mahamaudgalyayana, vendo ainda seu sofrimento, se pôs a gritar e, chorando, correu ao Buda para contar-lhe sobre sua visão e o que estava acontecendo à sua mãe.

O Buda, então, disse a Mahamaudgalyayana que sua mãe havia cometido um grande pecado e que ele nada poderia fazer com seus poderes para ajudá-la.

A força de seu amor filial se tornou tão conhecida que alcançou o Reino dos Seres Celestiais e outros reinos que nada podiam fazer para ajudá-lo a aliviar a aflição de sua mãe. O Buda, então, disse que se Mahamaudgalyayana quisesse ajudar a salvá-la, deveria pedir à Sangha das Dez Direções que, com seus méritos, fizesse algo para salvá-la, liberando-a de seus erros e sofrimentos. Naquela época, durante a estação das chuvas, os monges permaneciam no templo e, na lua cheia do sétimo mês, a Sangha das Dez Direções se reunia para realizar a Cerimônia de Confissão de seus erros passados. Os discípulos vinham então ao templo para doar comida, frutas, óleo para as lamparinas, roupas e utensílios, pedindo aos monges que, com seus méritos, salvassem seus pais das sete últimas gerações, incluindo os da presente vida.

Nesses dias, todos os Seres Iluminados e monges caminhavam ou meditavam sob as árvores cheios dos seis poderes sobrenaturais.

Os Bodhisattvas da mais alta esfera se manifestavam em forma de monges entre a congregação e, pelos méritos das oferendas feitas pelos discípulos, as sete gerações de seus pais se salvavam deixando de renascer nos Três Reinos Inferiores. Os pais da vida presente salvavam-se, acumulando muitos méritos, prolongando suas vidas, e os pais das gerações passadas renasciam nos céus desfrutando infinita alegria.

O Buda disse que antes de receber as doações, os monges deveriam abençoar os discípulos e, assim, ajudar seus antepassados.

Disse, ainda, que os alimentos recebidos deveriam ser oferecidos numa estupa ou num altar durante a recitação de mantras sagrados, abençoando-os para, só depois, consumi-los.

Ao ouvir os ensinamentos do Buda, todos os monges, Bodhisattvas e discípulos se encheram de alegria. Toda a angústia de Mahamaudgalyayana teve fim e sua mãe foi liberada de todo o sofrimento vivido no Reino dos Fantasmas Famintos.

Então, Mahamaudgalyayana indagou ao Buda se, para ajudar as sete gerações passadas, seus discípulos poderiam realizar sempre a mesma Cerimônia, como fora por ele ensinado, pois seus pais e toda a Sangha tinham sido beneficiados pelas bênçãos da Jóia Tríplice.

O Buda se admirou da pressa de Mahamaudgalyayana e disse-lhe como deveriam proceder: “Bons monges, os bhikshu, bhikshuni, reis, príncipes, governantes e pessoas do povo que quiserem manifestar gratidão a seus antepassados devem realizar a mesma Cerimônia na lua cheia do sétimo mês, oferecendo alimentos aos monges, obtendo, assim, os méritos da Sangha das Dez Direções em favor de suas sete gerações passadas. Isso, para que os pais da vida presente tenham longa vida, sem enfermidades e aflições, e para que os pais de sete gerações passadas possam se livrar dos sofrimentos do Reino dos Fantasmas Famintos e renascer nos céus onde poderão gozar de alegria e méritos infinitos.”

O Buda disse a todos: “Honrados homens e mulheres, lembrem-se, sempre cheios de gratidão, da bondade de seus pais de sete gerações e, na lua cheia do sétimo mês de cada ano, façam oferendas ao Buda e à Sangha para retribuir com gratidão os sacrifícios feitos pelos seus antepassados.”

Assim, Mahamaudgalyayana e as quatro categorias de discípulos (bhikshu, bhikshuni, upasaka e upasika) se encheram de alegria e de felicidade.

Taishô 685
- do site de Mestre Hsing Yun